Linhas de Pesquisa

Linha 1: Identidade, cultura e poder

Esta linha de pesquisa reune estudos sobre a produção social das diferenças e das desigualdades em cidades de distintas escalas, nas interfaces entre o rural e o urbano e em contextos atravessados pelas transformações econômicas, ambientais e políticas que reconfiguram o Centro-Oeste brasileiro e suas conexões com a América Latina e o Sul Global. Interessam pesquisa em que as relações de poder e de sentido por meio das quais pessoas e coletivos constroem, negociam e contestam identidades, corporalidades e modos de subjetivação, compreendidos como processos situados. A linha congrega estudos sobre corpo, saúde e cuidado, que abrange processos de saúde, doença e atenção, tecnologias biomédicas de prevenção, medicalização, saúde reprodutiva e as relações entre espiritualidade e cura; gênero, sexualidades e violências, que inclui mercados do sexo, violência de gênero, LGBTfobia, crime e processos de judicialização; religiosidades e regimes de conhecimento, que contempla dimensões rituais, cosmológicas e políticas dos saberes. Transversalmente, a linha acolhe estudos sobre Estado, políticas públicas e participação social a partir das experiências corporais e das diferenças; e sobre diferentes formas de reflexão metodológica e de escrita etnográfica, incluindo abordagens colaborativas e experimentais.

 

Linha 2: Povos e comunidades tradicionais, fluxos e fronteiras

Esta linha de pesquisa tem como foco estudos sobre populações indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais, considerando contextos marcados por múltiplas conexões. Interessa, particularmente, compreender processos relacionais, assimetrias, demandas e reivindicações por direitos que atravessam essas populações e seus territórios. O campo analítico e investigativo da linha contempla diferentes dimensões da vida social. Entre elas, destacam-se as formas expressivas, a educação, o território, o trabalho, a saúde, as ritualidades, a cultura popular, os museus e o patrimônio. Também integram esse campo as redes de comércio e consumo, a mobilidade humana, o turismo, os fluxos e as migrações, as políticas públicas, os direitos humanos e as questões relacionadas à equidade. A linha dedica-se, ainda, às relações com o meio ambiente e às relações multiespécies, que são abordados em diálogo com perspectivas da antropologia crítica, do relacionismo e dos estudos sobre etnicidade, agências, diversidades e alteridades. Integram igualmente essa abordagem as discussões sobre ontologias combativas, mecanismos de poder e formas de enfrentamento e resistência. Por fim, a linha considera as relações entre desenvolvimento econômico e desigualdade social, buscando compreender como diferentes processos econômicos, políticos,
sociais e culturais produzem assimetrias e disputas. Dessa forma, privilegia uma abordagem que articula diferentes escalas, atores e formas de experiência social.

 

Linha 3: Arqueologia: Cultura material, patrimônio e ambientes

A linha dedica-se ao estudo das relações entre sociedades, cultura material e ambientes em diferentes temporalidades e contextos espaciais, abrangendo a arqueologia pré-colonial e histórica, a arte rupestre, a bioarqueologia, a bioantropologia e a antropologia forense. Articula abordagens teóricas e metodológicas voltadas à análise de artefatos, sítios, paisagens, remanescentes humanos e acervos arqueológicos, considerando os processos de ocupação territorial, as dinâmicas socioambientais, as transformações das paisagens e as práticas culturais. Contempla, ainda, os estudos do Quaternário, as mudanças climáticas e suas relações com as sociedades humanas, bem como os processos de documentação, conservação, musealização e gestão do patrimônio arqueológico. Busca formar pesquisadores e profissionais para desenvolver pesquisas interdisciplinares, atuar na produção e difusão do conhecimento arqueológico e contribuir para a preservação, valorização e gestão do patrimônio cultural e ambiental. Espera-se que os egressos sejam capazes de estabelecer diálogos entre a Arqueologia, as demais áreas das Ciências Humanas e as Ciências Naturais, desenvolvendo práticas científicas e profissionais socialmente comprometidas com a ética, a cidadania, a sustentabilidade, a diversidade sociocultural, as comunidades e os desafios contemporâneos da preservação patrimonial.